Você já ouviu falar em L.E.R? Essa é a sigla para Lesões por Esforços Repetitivos, originadas pelo uso excessivo e contínuo de uma articulação.

Geralmente associadas ao trabalho, elas surgem como um leve incômodo, mas podem se agravar e comprometer seriamente o movimento das articulações atingidas — além da produtividade do paciente. Por isso, devem ser prevenidas, investigadas e tratadas.

Além do esforço repetitivo, é um problema que pode ser causado por má postura, estresse, choques e impactos. A seguir, listamos os tipos de L.E.R que são mais comuns para você conhecer. Confira!

1. Tendinite

Consiste em uma inflamação aguda ou crônica nos tendões — os “cordões” que fixam os músculos nos ossos. Provoca dor na região atingida, inchaço e uma sensação de fraqueza/queimação.

A tendinite ocorre comumente nas articulações dos punhos, joelhos, ombros e cotovelos, ocasionada principalmente por movimentação frequente ou repouso insuficiente.

Devido ao uso intenso do computador, ela também acontece com frequência nos tendões ligados aos músculos flexores das mãos (que passam pelas “costas” delas e fazem os dedos esticarem).

O tratamento pode envolver medicamentos anti-inflamatórios, repouso, fisioterapia ou até cirurgia em casos mais graves. Alongamentos e fortalecimento muscular ajudam a prevenir.

2. Tenossinovite

Nesse tipo de L.E.R, a inflamação atinge as bainhas que recobrem os tendões e também causa dores que se intensificam com o movimento da área atingida, além de inchaço. 

A tenossinovite pode ocorrer em diferentes articulações, mas atinge principalmente a bainha dos tendões dos músculos flexores dos dedos, provocando dores na palma da mão.

Em alguns casos, um nódulo se forma sobre o tendão e incha a bainha. É a chamada tenossinovite estenosante, ou “dedo em gatilho”. Nesses casos, não é possível movimentar o dedo, que fica dobrado na posição de gatilho.

O tratamento inclui repouso e anti-inflamatórios, contando ainda com a recomendação de cirurgias e injeções de corticoides. Fortalecimento muscular e uso de talas ou cintas (conforme orientação médica) podem contribuir para a prevenção.

3. Síndrome de Quervain

Consiste na inflamação de um tendão específico: aquele que passa pelo punho e segue até o dorso do polegar.

Normalmente, acomete pessoas que trabalham fazendo força e torcem o punho ao mesmo tempo — alguns exemplos: colocar ou retirar parafusos utilizando chaves, arquivar documentos e escrever à mão.

Além da dor, a pessoa que sofre da Síndrome de Quervain terá dificuldade para mover o polegar e o punho, além de sentir inchaço e enrijecimento da área afetada.

Anti-inflamatórios e injeções de corticoides são usados no tratamento. Em geral, a imobilização do polegar e a fisioterapia também contribuem para uma melhora no quadro. 

A prevenção é feita com uso alternado das mãos em trabalhos que exijam movimentos repetitivos, uso alternado do polegar para digitar a barra de espaço no computador ou máquina de escrever e posicionamento correto das mãos em relação ao teclado (punhos no nível das teclas).

4. Síndrome do Túnel do Carpo

Esse tipo de L.E.R comprime um nervo que passa pelo braço e o punho: o nervo mediano, responsável pelo movimento do dedo polegar.

A síndrome inflama e incha as estruturas que passam pelo túnel do carpo, uma estrutura rígida do punho formada por ossos e pelo ligamento transverso.

Com o nervo comprimido, a pessoa tem a sensação de amortecimento e formigamento nos dedos polegar, indicador e médio. Quando associada a movimentos repetitivos (flexão e extensão do punho), os sintomas tendem a piorar durante as atividades no trabalho.

O tratamento é feito com anti-inflamatórios, uso de munhequeiras e repouso. Quem trabalha usando computador e quer prevenir o problema deve se sentar com os pés completamente apoiados no chão, pernas flexionadas a um ângulo de 90º (coxas x panturrilhas), costas apoiadas no encosto da cadeira, braços e mãos na mesma altura do teclado.

Esses são os tipos de L.E.R mais conhecidos por aí. Já sofreu com algum deles? Então deixe um comentário logo abaixo contando sua experiência. E lembre-se: em caso de dores persistentes, procure atendimento médico!